Como professor confirmo com os anos que no processo de aprendizagem, nenhuma etapa pode ser pulada. Economiza-se esforço à prazo para pagamento do prejuízo à vista.
Esse é o caso da aprendizagem da pronúncia, que começa muito antes do aluno abrir a boca.
A pronúncia, que está dentro do espectro da linguagem falada envolve, principalmente, 3 níveis de processamento neurolinguístico:
- Conceituação
- Formulação e Articulação
- Estágio de auto-monitoramento.
A conceituação é um estágio pré-verbal e ocorre quando o aluno vincula um conceito à fala. Aqui ele pretende a mensagem que especifica o conceito a ser expresso.
O segundo estágio é a formulação na qual a forma lingüística necessária para a expressão da mensagem é criada. A formulação inclui conhecimento gramatical (conhecimento de vocabulário) e codificação fonética (seleção de sílabas, sons, ritmo, criando uma pontuação articulatória à medida que o enunciado é reunido e a ordem dos movimentos do aparelho vocal é concluída).


Por fim, o Automonitoramento ocorre APÓS a fala, quando a pessoa faz um esforço para corrigir erros em seu discurso para garantir que o que disse é o que se quis dizer.
A boa pronúncia é o resultado do seguinte:
O aluno que fala BEM, portanto, é aquele que estudou vocabulário e alcançou a diferença entre pretty e beautiful. É aquele que procurou no dicionário, anotou as diferenças e se interessou por etimologia, ampliando seu repertório.
É somente depois desse percurso que, com a orientação de um professor, ele fará a articulação dos fonemas no compasso motor da fala. Só aí é que o aluno terá a possibilidade de se escutar e se corrigir.
É boys & girls… não vou enganá-los: o trabalho de auto correção é contínuo e para a vida toda.
Se você parou de praticar o inglês, precisará de automonitoramento e, talvez rever o caminho todo da fala.
E é aí que mora o perigo.
Pois quem já fala(ou) inglês, subestima estra etapa. E quem não fala, ainda não alcança a sua importância.
O automonitoramento requer autocrítica, que é muito difícil, pois o aluno não tem ouvidos suficientemente treinados para distinguir HEAT de HIT.
Aliás, você: leitor desse blog – sabe a diferença?
Sem a ajuda de um professor de inglês, prevalecerá a distorção auditiva do aluno, que jurará ter falado BEACH, quando todos ouviram BITCH.
Ele continuará acreditando que a diferença em seu speaking se deve ao seu sotaque e passará vergonha, não conseguirá concluir uma apresentação, não achará graça de algumas piadas e não entenderá direito o que Ryan Holiday falou no Joe Rogan, pois não se trata de sotaque e sim de pronúncia.
A pronúncia quase nunca virá livre de um sotaque, especialmente quando pensamos em um brasileiro aprendendo inglês.
Apesar de estarem relacionados ao modo como falamos e ouvimos a língua, eles possuem diferenças significativas e exercem papéis distintos no processo de comunicação.
Pronúncia refere-se ao modo correto de articular som(ns) em uma língua. É, em essência, a maneira padrão/standard de se pronunciar uma palavra.
Por exemplo, a palavra “thought” tem uma pronúncia específica, independentemente de onde seja o speaker.
Erros de pronúncia geram dificuldades de compreensão e até podem alterar o significado de uma palavra ou frase.
Meus alunos e seguidores sabem disso, porque gasto boa parte das aulas de batendo nessa tecla.
Sotaque são outros 500.
São a marca distintiva na fala que indica a origem geográfica, social ou étnica de um falante. Ele é moldado por uma combinação de fatores, e, que, pode sim ser neutralizada do speaking por meio de aulas direcionadas.
A pronúncia correta é fundamental para ser compreendido e para compreender os outros, enquanto o sotaque pode ser uma característica identitária, que agrega charme e carisma a quem está falando, which allows the message to come across, ou seja, sem comprometer o conteúdo daquilo que está sendo falado.
A escuta tecnicamente treinada de um professor é a forma mais eficaz para distinguir qual a dificuldade do aluno e no que ele deve concentrar seus estudos.